Amazônia - Roteiro, Gastos e Dicas

Atenção: Todos os preços mencionados foram pagos em Dezembro/2020, os valores tendem a aumentar com o passar dos anos.


Confesso que sempre achei um absurdo e um pouco vergonhoso eu, uma brasileira que já rodou o mundo, nunca ter pisado na Amazônia. A verdade é que essa é uma viagem que está nos meus planos há tempos, mas que acabava sempre sendo adiada mais um pouquinho - "na próxima oportunidade eu vou", e a próxima oportunidade chegava e eu acabava dando prioridade pra algum outro país. Em 2018 saí do Brasil para morar fora e prometi a mim mesma que, da próxima vez que voltasse ao Brasil de férias, eu passaria pela maior floresta tropical do mundo de qualquer forma, e esse momento chegou. Conheci a Amazônia de perto, a nossa Amazônia, e vim aqui compartilhar com vocês um pouquinho do que foi essa viagem: o meu roteiro, os gastos e as dicas :)


Começo por falar algo que é um pouco óbvio mas que vale ser mencionado: A Amazônia é enorme - abrange diversos estados e países, e existem centenas de lugares para conhecer e coisas para se fazer por lá. A minha viagem começou em Manaus, de onde peguei o barco para Santarém, e terminou em Alter do Chão.

Então, vamos lá?


Dia 1 - Manaus

Cheguei em Manaus em uma quarta-feira de manhã. A idéia era conhecer o famoso MUSA (Museu da Amazônia), mas infelizmente eles fecham às quartas, então dei uma volta pela cidade e fui conhecer o Museu do Seringal.


Foto retirada da internet

Eu não sabia nada sobre o ciclo da borracha ou sobre como esse tipo de trabalho funcionava então achei bem interessante, mas vale mencionar que o seringal e a casa são apenas réplicas e não onde realmente aconteceu a história que nos é contada na visita guiada.

Chegar no Museu do Seringal é um pouco complexo e caro. É necessário pegar um Uber até a Marina do Davi (+- R$20) e de lá se pega um barco até o museu (R$14), na volta é preciso fazer o caminho contrário. A entrada do museu com visita guiada foi R$10.


Em Manaus me hospedei do Local Hostel (+- R$50 por noite) e recomendo bastante.

Gastos do dia:

R$10 museu

R$60 transporte (mais barato caso divida o uber) R$50 acomodação +- R$40 comida

Dia 2, 3 e 4 - Amazônia

Nos meus próximos três dias na região fiz o passeio pela floresta com o Iguana Tour. Para este passeio, existem as opções de 2 à 5 dias, sendo sempre o mesmo roteiro e, a cada dia adicionado, você faz atividades novas.


Eu escolhi a opção de 2 noites/3 dias, gostei bastante e acho que foi suficiente. No primeiro dia vimos o encontro do rio Negro com o rio Solimões, tivemos passeio de canoa, pesca de piranha e focagem de jacaré.




No segundo dia vimos o nascer do sol, fizemos uma caminhada na floresta onde o guia nos mostrava as diferentes plantas encontradas na região e para quê são usadas e dormimos em redes na floresta (ponto alto do passeio).



No terceiro dia o plano era conhecer uma casa de caboclos da região, onde iríamos aprender sobre o processo da farinha de mandioca, mas por conta do coronavírus pulamos essa parte e fizemos outras atividades na floresta mesmo.

Todos os dias são bem tranquilos, com bastante tempo para nadar no rio e aproveitar a região, e ah! sem nenhum sinal de celular: uma delícia. Eu recomendo bastante o passeio com eles, tanto pra se conectar mais com a floresta quanto pra se desconectar do resto do mundo. Dei sorte de cair com um grupo de pessoas bem legais, o que faz toda a diferença.

O passeio custa por volta de R$250 por dia para quem quer ficar em dormitório (um pouco mais caro para quem quer quarto privado), com tudo incluso (acomodação, transporte, comida, atividades, guia, etc), menos bebidas. Como eu não sou a favor de turismo envolvendo animais tentei ao máximo não participar das atividades que envolviam esse tipo de interação, como a pescaria e a focagem dos jacarés por exemplo.


Gastos dos 3 dias: R$680 - passeio com tudo incluso +- R$50 - bebidas

Dia 5 - Manaus

Meu último dia em Manaus e a idéia era fazer um bate-volta e ir conhecer Presidente Figueiredo, cidade conhecida por suas cachoeiras que muitas pessoas me recomendaram ir conhecer. Mas acabei desistindo por dois fatores:

  1. Estava chovendo e a previsão era de chuva para o dia inteiro.

  2. Era um domingo, e me disseram que Presidente Figueiredo não é tão legal aos fins de semana pois fica muito lotado.

Então deixei Presidente Figueiredo para uma próxima vez (junto com Novo Airão, que também me recomendaram) e decidi ir conhecer o famoso MUSA, que não havia conseguido ir na quarta-feira. O Museu da Amazônia é bem interessante e sua principal atração é a ponte de 242 degraus de onde podemos ver a floresta de cima


Mas, para te ser sincera, eu pessoalmente estava esperando aprender mais sobre as comunidades indígenas da região e também sobre o desmatamento na floresta. Ambos os temas são muito pouco (ou nada) mencionados; mas vale a pena a visita caso tenha um dia sobrando em Manaus. O museu fica um pouco afastado do centro, eu fui de ônibus e levei 1h, o ônibus para bem na frente e no dia que eu fui foi gratuito, pois era dia de eleição. O preço de um Uber pra lá saindo do centro sai por volta de R$50


Gastos do dia:

R$30 museu R$50 acomodação +- R$40 comida

Dia 5, 6 - Manaus > Alter Do Chão

A parte seguinte da viagem foi a viagem de barco de 42h de Manaus à Santarém, falo com mais detalhes dela aqui. Chegando em Santarém peguei um táxi (era de madrugada e não havia ônibus) sentido à Alter do Chão.

Gastos: R$ 130 - barco +- R$ 50 - refeições no barco

R$ 100 - taxi para Alter


Dia 7, 8, 9, 10, 11 - Alter do Chão

Me avisaram que Alter ganharia o meu coração desde o primeiro dia e, olha, era verdade. Que delícia de cidade, de praias, de comida, bebida... gente, tudo. Eu amei demais Alter do Chão e gostaria de ter ficado mais tempo por lá.

Alter do Chão é uma vila rodeada pela Floresta Amazônica e localizada na margem do Rio Tapajós, há uns 40km de Santarém. Faz bastante diferença ir na época da cheia ou da seca, eu fui na seca (em dezembro) e, pessoalmente, acho mais interessante por conta das praias que se formam no rio. Em Alter é possível aproveitar tanto os dias quanto as noites.


Dias em Alter do Chão

As praias de Alter são muito parecidas com as praias comuns que conhecemos, mas são todas praias de rio. O lado bom é que a água é doce, quentinha e calma, o lado ruim é que temos que sempre estar tomando cuidado com as arraias, rs.


Na própria cidade de Alter, a praia mais famosa e mais central é a Ilha do Amor.


A ilha só aparece na época de seca e na cheia fica inteira submersa (sim, inclusive os restaurantes que existem lá, e que operam sem energia elétrica) A ilha do amor é realmente linda, mas por ser a mais famosa costuma ser um pouco mais lotada. A praia que eu pessoalmente mais gostei é uma mais escondidinha e logo ao lado, chamada Lago Verde.


Além de linda, é super vazia, cheia de sombra e tranquila. Poderia ter passado todos os meus dias lá descansando e nadando ♥️. Em Alter também tem muitas opções de passeios para se fazer. Os passeios costumam ser mais salgados (cerca de R$150 cada com transporte, almoço e guia inclusos) então acabei fazendo somente os dois que são considerados os melhores, mas tem muito mais opção e dá tranquilamente para fechar tudo na sua pousada/hostel quando chegar por lá. Os passeios que fiz foram:


  • Flona: Trilha de cerca de 5h pela floresta amazônica, onde passamos pela famosa Sumaúma - maior árvore da região - e um guia local vai explicando os tipos de vegetações encontrados por lá e para que cada planta serve, com uma parada para nadar em um Igarapé (riacho que nasce na mata). Também é possível dormir na comunidade local.


  • Arapiuns: O queridinho dos passeios, e com razão. Nesse dia passeamos de lancha pelo Rio Arapiuns e vamos parando em praias lindas. Almoçamos em uma comunidade local e voltamos a Alter a tempo de ver o pôr-do-sol.




É muito fácil fechar os passeios na cidade quando chegar lá, de um dia para o outro, e não há a mínima necessidade de fechar os passeios com antecedência. O Flona eu fechei no próprio hostel que me hospedei, e o Arapiuns fechei com o Lico, um barqueiro querídissmo e que tem uma lancha muito boa. Esse aqui é o whatsapp dele para quem esteja procurando barqueiro por lá: (93) 9182-7999. Super recomendo! Na cidadezinha de Alter também tiveram alguns locais que eu gostei bastante:

- Restaurante Siriá: somente um prato por dia (todo dia um diferente) nas opções vegana ou vegetariana, uma delícia e super saudável!



- Araribá: Uma loja de artesanato LINDA (mas cara) mas LINDA, (mas cara). Possui peças de artesanato originais de mais de 90 comunidades indígenas.



- Surara: outra lojinha, a Surara vende brincos, colares e pulseiras LINDOS feitos por uma comunidade indígena local. Fomos lá duas vezes e a loja estava fechada, mas é só bater na porta que a dona (que mora na casinha de trás) vem abrir.



- Sorveteria Boto: super famosa, central e com opções de sorvetes bem típicos da região.

Noites em Alter do Chão

As noites de Alter também costumam ser animadíssimas, com muito carimbó e caipirinha de jambú. Carimbó é a dança/música local, divertidíssima de dançar e super típica. Jambú é uma planta da Amazônia que deixa a língua dormente, eu amei a caipirinha e trouxe 7 (SETE!) garrafinhas pequenas de cachaça de jambú de volta pra casa.



Às quartas, na cidade, tem um samba na Lanchonete Dona Glória. Quinta é o dia de carimbó raíz na frente do espaço alter e sexta tem chorinho na Dona Glória de novo com after de Carimbó no espaço Tribal. Sábado tem mais carimbó, mas eu já estava muito cansada de 4 dias seguidos de festas e praias e fui pro hostel dormir cedo nesse dia 😅 Ah! Também dá pra ir nadar pelado no rio Tapajós na ilha do amor de madrugada. Não estou dizendo que fiz, só que é possível 👀👀👀 Em Alter do Chão me hospedei no Hostel Pousada Tapajós e paguei cerca de R$50 por noite. Gastos Alter:

R$300 - passeios R$200 - acomodação

+-R$160 - refeições

R$??? - caipirinhas de jambu