Road trip pela Islândia - Roteiro, gastos e dicas

Acabo de voltar de uma viagem de oito dias à Islândia. Decidi super de última hora ir conhecer o país e, em 4 dias, comprei a passagem (moro em Londres), fiz meu roteiro e aluguei um carro. Viajei sozinha de carro pelo sul da Ilha - o que acredito ser a melhor região para o inverno por conta de neve e condições das estradas - e aqui compartilho meu roteiro, gastos e algumas dicas.


Já adianto que o país é super caro, cheguei a pagar cerca de R$60 em dois sanduíches naturais, por exemplo. O inverno é baixa temporada então imagino que durante o verão os preços relacionados ao turismo aumentem. Aqui dou algumas dicas de como gastar menos na sua viagem à Islândia. A parte boa é que as atrações turísticas são praticamente todas gratuitas e com estacionamento gratuito. Meus maiores gastos foram com acomodação, carro e comida, sempre gastando o mínimo possível (acomodações mais baratas e comprando comida em mercado). Ao longo do roteiro vou especificando quanto gastei em cada coisa e ao final tem tanto o mapa com todos os locais que parei quanto o preço total da viagem.


DIA 0

Cheguei na capital, Reykjavik, por volta das 17h. O aeroporto é distante da cidade e, como era dia 31/12, não tinha transporte público, então precisei ir até a cidade com ônibus de empresa particular, o que custou £29 e me deixou na porta do meu hostel (usei o Grey Line). O hostel que fiquei foi o Reykjavik City HI Hostel, com um preço de £25 por noite no quarto mais barato (o quarto mais barato deles custa £14, mas como era noite de ano novo £25 foi o mais em conta que encontrei). É um hostel bom, porém afastado do centro, como era só pra eu dormir não foi nenhum problema. Comemorei o ano novo nas fogueiras gigantes que são tradição por lá, e fui dormir cedo pois o dia seguinte seria longo.



gastos do dia: £56.5

£29 - transporte do aeroporto

£25 - hostel

£2.5 - locker (os hostels na Islândia não costumam ter lockers nos quartos)


DIA 1

Acordei cedo e fui pegar o carro. Aluguei o carro com a empresa Orange Car Rental que foi a mais barata que encontrei e que parecia ser confiável (dica: leia as reviews de outros viajantes antes de alugar carro com qualquer empresa). O preço do carro para os 8 dias foi £390 e gasolina para toda a viagem saiu £144. Consegui uma oferta boa de seguro e, por esse preço, o máximo que eu pagaria caso acontecesse alguma coisa era £350 - o que foi ótimo, porque seguro de carro na Islândia é caríssimo e, se pegasse o seguro completo, teria saído o dobro do que paguei, então valeu a pena. Explico mais como escolher o carro certo e como dirigir na Islândia aqui. A minha viagem saiu cara pois aluguei o carro sozinha, óbvio que se estivesse em mais pessoas (como nessa viagem pela Noruega) teríamos dividido os custos do carro entre todos e teria feito uma grande diferença. Pelos meus calculos, se o carro estivesse cheio a viagem toda teria saído metade do preço.

Recomendo passar em um mercado já no primeiro dia antes de pegar estrada, como eu viajei no dia 1/1 todos os mercados estavam fechados e me ferrei depois, pois fui para um lugar bem remoto e só fui conseguir fazer mercado no terceiro dia da viagem.


O primeiro dia de viagem foi o que mais dirigi, pois fui direto até o ponto mais distante do roteiro e fui voltando aos poucos nos próximos dias. Saí da capital por volta das 9h30 e fui em direção a Vagnsstadir HI Hostel (£55 por um quarto para duas pessoas por noite, também era o mais barato da região pro dia que eu estaria ali), com uma parada em Reynisfjara, uma das praias de areia preta do país.



Todas as praias do sul do país têm a areia preta por conta de atividades vulcânicas e, antes vendo em foto eu achava que a areia era meio suja só, meio escura. Mas não, ela é realmente preta e é bem maluco ver ao vivo. Essa praia tem também um dos mares mais bravos que eu já vi na vida. É perigoso até chegar perto dele desde a areia porque as ondas são muito grandes já no raso. Já teve casos de mortes de pessoas que se aproximaram muito do mar (sem entrar), não viram uma onda forte chegando e foram levadas, então tenham cuidado.


Cheguei no hostel por volta das 17h e fiquei hospedada por duas noites. Não gastei dinheiro com comida durante o primeiro dia pois comi os sanduíches que tinha feito no café da manhã em Reykjavik, cheguei no hostel achando que eles teriam alguma comida para vender e o único que tinham era miojo a R$25, achei um macarrão dos hóspedes anteriores e foi o que cozinhei essa noite. Estava a 50km do supermercado mais próximo então, caso vocês não comecem a viagem dia primeiro de janeiro, façam mercado antes!


kms rodados: 435

gastos: £505

£8 - cafe da manhã em Reykjavik

£12 - taxi pra pegar carro (comecei o caminho andando mas começou a nevar, tentei pedir carona mas o único carro que parou foi um taxi kkk)

£390 - carro 

£55 - hostel

£40 - gasolina


DIA 2

Acordei e presenciei, sem querer, uma nuvem estratosférica polar. Nunca tinha ouvido falar nesse fenômeno mas pelo o que me disseram é algo super raro de se ver. Pesquisei depois e descobri que não se sabe ao certo como elas aparecem, mas precisam de condições climáticas muito específicas para surgirem, por isso são tão difíceis de se encontrar. Eu, sortuda que sou, as vi nesse dia e no seguinte também.



Fui em direção a Jökulsárlón, um lago cheio de icebergs ao lado das montanhas mais altas do país, é de chorar de tão lindo.

Fato interessante sobre o inverno: como o sol não chega a ficar tão alto, fica essa constante cor de “pôr do sol” meio rosada o dia inteiro, o que deixa tudo mais bonito ainda.



Como praticamente todas as atrações do país, a entrada e o estacionamento são gratuitos. 

Desde o estacionamento de Jökulsárlón também saem os tours para conhecer as cavernas de gelo. As pessoas que conheci no hostel no dia anterior todas tinham reservado esse passeio com meses de antecedência e me disseram que fica tudo sold out. Eu, como não gosto de reservar nada com antecedência (a própria viagem foi marcada 4 dias antes dela acontecer kkkk) cheguei lá de manhã, antes de ir conhecer o lago, e fui de tour em tour perguntando preço e se tinham uma vaga para o mesmo dia. Por ser de última hora consegui um super desconto e fiz o passeio com a Arctic Adventures.

Conhecemos uma caverna de gelo e andamos um pouco em cima do maior glacier da Europa. Foi uma experiência bem interessante e eu super recomendo.



O preço normal desse passeio é em torno de £120. Se você passar lá pessoalmente para marcar o passeio pro mesmo dia ou pro dia seguinte as chances de conseguir um desconto são maiores (mas também existem chances de não ter mais lugar).


Voltei para o hostel depois do passeio, jantei e a noite fui à caça da aurora boreal. Existem diversos tours para encontrar a aurora, que valem a pena serem feitos por quem não está de carro. Se você está de carro dá pra ir por conta própria, explico tudo sobre como ver a aurora aqui.





kms rodados: 60

gastos: £155

£70 - passeio pelas cavernas

£30 - comida (dois hotdogs vegetarianos e dois sanduiches, chorando porque ainda não tinha achado um mercado)

£55 - hostel


DIA 3

No terceiro dia de viagem comecei a voltar. Dei uma parada na Diamond Beach (a uns 20 minutos do hostel e na frente de Jökulsárlón).

Estava um vento absurdo e não deu pra ficar muito, só fui rapidinho tirar umas fotos e voltei correndo pro carro. Comecei então a dirigir em direção ao Nicehostel Seljaland (£45), meu próximo hostel onde ficaria 2 noites - recomendo bastante esse hostel e foi o meu preferido da viagem, o único com café da manhã incluso. Foi também o mais barato que encontrei na região (mas reservei super de última hora, talvez tenham outros mais baratos em Vik para quem reservar com antecedência).


No caminho para o hostel fui parando em todos os lugares que achava bonitos na estrada, então fui bem devagar. Foi maluco ver como a estrada que dois dias antes estava seca, agora estava cheia de neve. Também passei por Vik, onde finalmente encontrei um supermercado e fiz compra de comida para os próximos dias até o fim da viagem.


kms rodados: 300

gastos: £85

£40 - mercado (uhuuull)

£45 - hostel


DIA 4

O quarto dia de viagem foi dia de ficar no hostel, pois o vento estava forte demais e recomendaram nem sair de casa. Não fiz literalmente nada nesse dia, além de descansar, ler e escrever esse roteiro para vocês 🙂


kms rodados: 0

gastos: £45

£45 - hostel


DIA 5

No dia seguinte acordei cheia de energia, já que no dia anterior não pude nem sair do hostel. O clima não estava uma maravilha, mas pelo menos não estava rolando um mini furação como no dia anterior.

A primeira parada do dia foi o avião caído. 



Esse foi um avião americano que caiu em 1973, por um erro do piloto que achou que estavam sem gasolina e depois descobriram que ele estava trocando para o tanque errado. Ninguém morreu e hoje o lugar parece uma cena bizarra de filme no meio do nada. Para chegar ao avião basta estacionar o carro no estacionamento na beira da estrada e andar por uns 45 minutos, é uma caminhada bem fácil e plana. não tem nada ao redor então o vento pode ser forte, vá preparado. Eu não havia lido sobre isso e descobri quando cheguei lá, mas tem um shuttle que faz o trajeto estacionamento-avião e custa ISK2100(£14) ida e volta ou ISK1800(£11) só um trecho, eu fui a pé e é uma caminhada bem tranquila.


Depois fui em direção a Skógafoss e a Seljalandsfoss, duas das cachoeiras mais famosas do país (para estacionar em Seljalandsfoss, existe uma taxa de ISK700(£4))



Saí de Seljalandsfoss e o sol já estava se pondo, fui então em direção ao Bakki (£14 - finalmente um hostel com um preço ok), o hostel que ficaria nessa noite, já chegando cada vez mais perto de volta a Reykjavik.


kms rodados: 200

gastos: £68

£14 - hostel

£50 - gasolina

£4 - estacionamento Seljalandsfoss


DIA 6

Esse era o dia de fazer o círculo dourado e terminar de volta em Reykjavik, mas o clima não ajudou muito (vocês já devem ter percebido que a Islândia dá dessas, né). Saí do hostel e fui em direção a Gulfoss, uma das cachoeiras mais lindas que eu já vi, cheia de neve em volta, uma vista e tanto. 



Tanto nesse dia quanto no dia anterior eu usei bastante um negócio que eles chamam de shoes crampons, é tipo uma corrente que você enrolada na bota para não escorregar no gelo e eu recomendo bastante comprar uma dessa quem for à Islândia no inverno. Principalmente perto das cachoeiras, já que tem muito gelo e é bem difícil de andar sem uma dessas.


Depois passei rápido pelos geysirs, que estavam no caminho e fui em direção ao Kerið, uma cratera com um lago bem bonita.



A idéia depois do Kerið era ir ao Þingvellir National Park, mas começou um vento muito forte e a nevar na estrada então achei melhor terminar o dia por aí, o que foi a decisão certa pois mesmo voltando cedo peguei uma tempestade de neve na estrada bem assustadora e, caso tivesse ido ao Þingvellir, com certeza teria ficado presa em alguma cidadezinha por lá.


O Þingvellir é uma das atrações principais do país mas infelizmente teve que ficar para uma próxima vez, talvez quando decida fazer uma viagem no verão por lá.


Cheguei ao hostel (mesmo hostel que me hospedei na primeira noite em Reykjavik) e vi que a noite as condições para a aurora estariam boas, o céu ia estar limpo mais tarde e o índice KP estaria alto, fiquei bem feliz e às 19h peguei o carro para ir em busca da aurora. Como estava na capital havia muita luz e dirigi ceca de 1h pro norte em busca de um lugar com menos luz, infelizmente seria impossível encontrar qualquer lugar com menos luz nesse dia já que era lua cheia, então o céu estava bem claro. Consegui ver a aurora bem fraquinha e voltei pro hostel.


kms rodados: 340

gastos: £19

£14 - hostel

£2.5 - entrada Kerid

£2.5 - locker


DIA 7

O sétimo dia da viagem foi parecido com o quarto. O vento estava forte e a neve também, então acabei ficando no hostel para trabalhar no blog.


kms rodados: 0

gastos: £14

£14 - hostel


DIA 8

Oitavo e último dia dessa viagem maravilhosa. Acordei no hostel em Reykjavik e dirigi em direção à Blue Lagoon, uma lagoa de água termal que tem perto do aeroporto.


A Islândia tem muitas regiões de atividade termal e a Blue Lagoon fica localizada em uma delas. Já adianto que é um passeio caro (€85 o pacote mais barato), mas é um dos principais pontos turísticos do país e eu pessoalmente achei que valeu bastante a pena. A temperatura da água fica em 38°C, enquanto lá fora estava nevando e por volta dos -2°C, é uma delícia e foi uma decisão acertada ir visitar a lagoa antes de pegar meu vôo de volta pra Londres, além de ser pertinho do aeroporto voltei pra casa bem relaxada :)


kms rodados: 80

gastos: £72

£72 - Blue Lagoon

£54 - Gasolina




GASTOS TOTAL VIAGEM: em torno de £1000, sendo que só de carro (com seguro e gasolina) foi £580, ou seja, se eu estivesse com mais 4 pessoas a viagem teria saído £430 mais barata - praticamente metade do preço. É uma economia muito alta dividir os gastos do carro com outras pessoas. Os meus gastos de comida em dois dias sem mercado também foram o mesmo valor do mercado que durou pro resto da viagem - então façam compra de mercado, cozinhem e levem sanduíches para comer durante o dia. KMS RODADOS: 1415. Eu recomendo muito viajar de carro pelo país, um dos pontos altos da viagem foi poder dirigir aproveitando a estrada e parando onde dava vontade. Enfim, eu me apaixonei pela Islândia e com certeza quero voltar para conhecer o país durante o verão, talvez dar a volta inteira na ilha. É um país seguro, fácil de se viajar e com coisas lindas para ver e viver. O maior problema acho que realmente são os preços, pois é um lugar caro, mas é possível economizar bastante, principalmente durante o verão quando é possível acampar.

Amanda Areias

Programadora e designer gráfica por profissão, viajante por paixão e feminista por necessidade.​

Mochileira desde os 17 anos, sempre em busca de lugares, culturas e pessoas novas.

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