Amanda Areias

Programadora e designer gráfica por profissão, viajante por paixão e feminista por necessidade.​

Mochileira desde os 17 anos, sempre em busca de lugares, culturas e pessoas novas.

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Afinal, andar ou não andar de elefante na Ásia?

November 23, 2016

 

Existem muitas controvérsias quando o assunto é turismo com animal.

Uma parte das pessoas não está nem aí e não vê problema nenhum em enjaular animais para benefício próprio, outra parte já sai xingando toda e qualquer pessoa que pense em fazer esse tipo de turismo, sem nem ao menos saber os detalhes.

 

A verdade é que esse tipo de turismo costuma ser muito cruel sim. E, perceba que eu disse - COSTUMA.

Como sempre, existem algumas exceções para a regra; o importante é tomar cuidado e pesquisar MUITO antes de fechar algum safári africano, passeio com elefantes na Ásia, sessão de fotos com tigres na Argentina, andar de camelo no deserto, etc.

 

Antes de começar a falar no assunto, é importante saber o que são Santuários de animais, e entender que existe uma enorme diferença entre agências de turismo e santuários.

Lugares turísticos como a maioria dos zoológicos, o SeaWorld, o Tiger Kingdom e por aí vai, oferecem experiências com animais selvagens em troca de dinheiro, e costumam fazer muito pouco pelo bem estar deles. Eles realmente só estão interessados no dinheiro, e a maior parte desses estabelecimentos tira os animais de seu habitat natural e os aprisionam em jaulas para que nós humanos possamos ter uma "experiência única". 

Isso é uma das maiores provas de como o ser humano é egoísta.

Até que ponto uma foto bonita no Instagram vale o sofrimento de outro ser vivo?


Santuários já são diferentes. Santuários são feitos para a recuperação de animais que - por qualquer motivo - não podem voltar ao seu habitat natural. Santuários realmente cuidam desses animais, e se você puder ajudar esse tipo de estabelecimento de qualquer forma - seja fazendo trabalho voluntário, seja doando dinheiro ou participando de atividades turísticas que eles promovem - você também os estará ajudando.

O problema é: todos os estabelecimentos se fazem de santuários. Todos os estabelecimentos dizem que tratam bem seus animais e contam histórias para turistas acreditarem.
Eu já ouvi gente falando que no Zoológico de Lujan (na Argentina), os leões não estão dopados, que eles brincam muito durante a manhã e na hora das visitas eles estão apenas cansados.
Já ouvi gente falando que no Tiger Kingdom os tigres não atacam pois cresceram rodeados de humanos e estão acostumados com a nossa presença.
Já ouvi gente contando que andou de elefante no Camboja por 5 horas, num sol escaldante, com o elefante com os pés acorrentados - mas que não tinha problema, pois os elefantes estavam acostumados com esse tipo de coisa.
Eu não sei se essas pessoas realmente acreditam nesse tipo de história, ou se fingem que acreditam para não pesar na consciência.

Mas, se todos os estabelecimentos dizem que são santuários e se fazem de bonzinhos, como saber se o que eu estou escolhendo está realmente falando a verdade?

PESQUISE! Esse é o único jeito de saber a verdade sobre algum estabelecimento.

 

Leia as reviews no TripAdvisor, leia centenas de blogs, veja se tem alguma denúncia formal, pergunte em grupos de viagem, procure por selos de aprovação, converse com ex funcionários, etc.

Pesquise muito, para não correr o risco de financiar lugares cruéis.

 

Vou contar o meu caso: eu andei de elefante no Laos.
Pesquisei MUITO antes de fechar, e quase desisti pois não estava encontrando nenhum lugar realmente confiável. Qualquer pequeno sinal de abuso e maus tratos eu já descartava o lugar.

Por fim, encontrei um santuário confiável em Luang Prabang.

 

Muitas construtoras lá na Ásia usam elefantes para trabalharem em construções. Por serem animais que aguentam muito peso, eles são obrigados a levarem carga de um lado pro outro e carregam VÁRIAS toneladas por dia, o dia inteiro, é muito triste.

Quando eles começam a ficar mais velhos, as construtoras simplesmente os abandonam.

Infelizmente isso parece ser algo comum na Ásia.

 

Após todos esses anos trabalhando e carregando centenas de toneladas por dia, os elefantes não têm condições de voltarem para a selva; e é aí que entra o trabalho dos santuários.

No lugar que eu fui, eles pegavam esses elefantes para cuidar, e eles realmente faziam um trabalho incrível.

Os elefantes não ficam presos em nenhum momento, não são maltratados, não fazem truques, ficam no máximo duas horas por dia com os turistas (isso quando ficam), os elefantes mais idosos ficam afastados dos turistas e apenas elefantes fêmeas ficam lá para que não existam chances de reprodução, além de serem mais dóceis e mansos que elefantes machos.
Outro fator importante: santuários de verdade nunca vão permitir a reprodução (a não ser que a espécie esteja em extinção). Afinal, o objetivo final não é o lucro em si, mas sim o cuidado com os animais.

O espaço que eles tinham era enorme, de um lado do rio era a agência, onde ficavam os turistas, do outro lado do rio era onde ficavam os elefantes quando não estavam com nós; eles estavam sempre livres.

"Mas você gostaria que outra pessoa andasse no seu pescoço?"
Sinceramente, essa comparação é bem desonesta e se a pessoa pergunta isso você já sabe que ela não pesquisou nada sobre o assunto. O elefante é um dos animais mais fortes do mundo, eles aguentam várias toneladas de uma só vez, aguentam mais de 200kg somente na tromba. Ou seja, uma pessoa de 50kg não faz nem cocégas nele.
Concordo que quando são várias pessoas por dia é cansativo, e por isso falo de novo: encontre um lugar confiável onde os elefantes, além de não ficarem com os turistas todos os dias, também ficam apenas uma pequena parte do dia com eles.

 

Mas se é um santuário, por que permitir o turismo?

O problema é que o governo laosiano não ajuda eles financeiramente, e eles precisam tirar o dinheiro de algum lugar.
Afinal, cuidar de elefantes não deve ser muito barato, né? Os gastos vão desde centenas de kilos de comida por dia, até veterinários especializados.

 

O turismo é uma das atividades que mais dá dinheiro no mundo, e esse foi o modo que esses santuários encontraram de conseguir cuidar dos elefantes.

Os verdadeiros costumam ser mais caros, mas nesse tipo de lugar vale a pena gastar um dinheirinho a mais.

 

Infelizmente, na época que eu fiz esse passeio eu ainda não tinha o blog e acabei não anotando o nome do local para passar pra vocês. Já tentei achar de novo mas não encontrei.
Mas basta uma vasta pesquisa online que você acha um lugar confiável!

 

 


Voltando ao início do texto, não estão certos nem os que defendem o turismo com animais, nem os que criticam qualquer tipo de turismo com animais. É importante se informar antes de ter opinião formada, sobre qualquer assunto. Alguns tipos de turismo com animais - mesmo que poucos - trazem benefícios sim.

 

Algo que me parece engraçado são pessoas que têm mil pedras na mão quando você diz que andou de elefante na Ásia - mesmo depois de explicar toda a história do santuário - mas que já andaram à cavalo e não vêm problema nenhum nisso, ou que já assistiram ao show das orcas no SeaWorld e também não vêm problema nisso.
Fácil é criticar, difícil é realmente se informar sobre o assunto e falar com propriedade.


Aliás, para quem se interessa por esse assunto, eu recomendo assistir o documentário BlackFish, que conta a real história por trás do SeaWorld, é MUITO BOM.

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