Uma semana pelo Marrocos: roteiro, gastos e dicas


Recentemente fiz uma viagem sozinha de uma semana pelo Marrocos. Quem me conhece sabe que eu não gosto de conhecer países novos de uma forma tão turística e em tão pouco tempo, mas era o tempo que eu tinha de férias no trabalho e, como moro na Europa, o Marrocos me pareceu a melhor opção no pouco tempo que eu tinha (além da passagem de ida e volta custar 30 libras!!).

O Marrocos me surpreendeu muito e eu fui para lugares lindos lá. Fiz uma rota bem turística e, para esses lugares, uma semana foi suficiente. Quem tiver mais tempo eu recomendaria passar mais dias em cada cidade e conhecer também outros lugares mais ao sul.

FEZ

Desembarquei no norte do Marrocos, em Fez, no dia 30/10 às 23h, e fui direto ao hostel. Me hospedei em um hostel chamado Riad Verus, que fica dentro da Medina, e é uma graça. Medina, no mundo árabe, é uma parte da cidade rodeada por uma muralha e costuma ser onde a cidade antiga está localizada, então sempre que puder se hospedar dentro da Medina, escolha essa opção.

No meu primeiro dia de viagem (31/10) eu conheci Fez. Andei pela cidade sozinha, me perdi nos mercados de rua, fotografei mesquitas e comi meu primeiro Tagine com suco de laranja, que seria minha refeição principal pela próxima semana inteira praticamente. Gostei bastante de Fez e tem bastante coisa para se fazer, recomendo ficar entre um e dois dias na cidade.

CHEFCHAOUEN

A primeira vez que vi a cidade azul foi em uma foto do meu fotógrafo preferido, Steve McCurry. Li a respeito e descobri que o lugar ficava no norte do Marrocos, naquela época ninguém ainda conhecia Chefchaouen e essa cidade ficou na minha cabeça desde então. Hoje Chefchaouen é super turística e todo o comércio da cidade parece girar em torno dos turistas.

Como chegar?

A cidade azul fica ao norte de Fez - cerca de 4h de carro - e é super fácil de chegar.

A opção mais barata seriam os ônibus, que custam cerca de €7 por trecho e têm várias saídas por dia. A companhia de ônibus mais conhecida no país é a CTM e, para comprar online, é necessário 24h de antecedência. Também é possível comprar pessoalmente logo antes da viagem mas o risco do ônibus estar cheio é grande.

Outra opção, um pouco mais cara, é contratar um tour em Fez. Os tours de bate-e-volta para Chefchaouen custam em torno de €40 por pessoa e incluem um transporte e um guia para ficar a primeira meia-hora com o grupo e explicar mais sobre a cidade, o restante da tarde todos ficam livres para andar por lá. Para fechar um passeio desses basta entrar em qualquer agência de turismo em Fez e reservar, não tem necessidade de fechar com antecedência.

A terceira opção é alugar um carro por conta própria, o que vale a pena caso você esteja viajando com mais pessoas para dividir os custos. Bastante gente aluga carro no Marrocos e é uma das formas mais baratas de se viajar pelo país.

O que fazer?

Chefchaouen não tem pontos turísticos específicos, a própria cidade é o ponto turístico e o melhor a se fazer por lá é andar e se perder pelas ruas azuis. Como mencionei anteriormente, é uma cidade muito turística, então não espere ter uma experiência autêntica do Marrocos por lá, eu diria que um dia inteiro é suficiente na cidade.

Nessa região do Marrocos também é onde estão localizadas as fazendas de maconha que produzem haxixe, muito comum no país. Eu, como tinha pouco tempo na cidade e já tenho minha experiência com fazendas de maconha, decidi não conhecer as do Marrocos, mas muita gente faz o tour por elas. Por motivos óbvios é um tour ilegal e eu não recomendo ir sozinho(a), mas você encontra fácil pessoas o oferecendo pelas ruas da cidade.

DORMIR NO DESERTO

Passei um dia em Fez, um dia em Chefchaouen e no terceiro dia comecei o tour pelo deserto. Que foi a melhor parte e, ao mesmo tempo, a parte mais decepcionante da viagem. Pois é. Mas vamos aos poucos:

Existem vários estilos e tipos de tour pelo deserto, o mais comum é o que eu fiz: dura três dias e vai de Fez a Marrakesh (ou vice-versa). Para fazer esse tour não é necessário reservar com antecedência (caso reserve online, vai acabar pagando mais caro), basta fechar no seu hostel - ou em alguma companhia de viagem dessas de rua - uns dias antes. Eu fechei de um dia para o outro e paguei cerca de €200 pelos três dias com acomodação, transporte e parte das refeições.

Uma opção mais barata é ir por conta própria (de carro alugado ou ônibus) para Merzouga, e de lá fechar o acampamento no deserto. Eu teria feito isso se tivesse mais tempo no país, como estava com os dias contados decidi fazer da forma mais rápida.

Saímos de Fez na manhã do dia 2/11 em direção ao Sahara, o primeiro dia é inteiro dirigindo com algumas paradas no caminho e no meu tour estavam mais dois holandeses e dois paquistaneses dos quais fiquei amiga. Chegamos a um hotel no deserto um pouco antes do pôr-do-sol e de lá pegamos os camelos para fazer o passeio pelas dunas.

ATENÇÃO: eu, pessoalmente, reprovo fortemente fazer o passeio com camelos, acho que é um turismo irresponsável, cruel e egoísta. Optei por ir caminhando, leia mais aqui.

Andamos pelas dunas com os camelos, vimos o pôr do sol e andamos por mais uns 30 minutos no escuro. Foi bem bonito. Quando chegamos no acampamento começaram as decepções: Descobrimos que havíamos andado por uma hora no deserto dando voltas, pois o acampamento era do lado do hotel de onde tínhamos saído com os camelos. Quando saíamos do acampamento, podíamos ver que haviam outros vários acampamentos em volta. As “tendas” eram casinhas de concreto com uns panos em cima.

A experiência não tinha nada de “autêntica”, e nem no meio do deserto estávamos (escutávamos as chamadas pra oração da cidade mais próxima). Conversando com outras pessoas depois, descobri que quase todos tiveram experiências parecidas, com algumas exceções de pessoas que pagaram por acampamentos mais luxuosos.

Não me levem a mal, o deserto é incrível, alcança até os olhos não conseguem mais enxergar e o céu é de chorar.. mas está longe de ser uma experiência autêntica no deserto como nos venderam o passeio.

No acampamento comemos, fizemos novas amizades e vimos uma apresentação de música beduína (também bem turística).

No dia seguinte acordamos bem cedo, fomos ver o sol nascendo das dunas e depois demos mais uma volta de camelo (eu caminhando) antes de voltar para o carro e seguir viagem. Nessa manhã foi quando aconteceu um dos pontos altos da viagem, onde conheci o Odi.

Pegamos o carro e fomos em direção à Rissani, uma cidade no caminho onde conhecemos os mercados locais. Acho que essa foi uma das únicas experiências realmente autênticas do passeio, onde tinham pouquíssimos outros turistas e ficamos passeando por onde os locais fazem feira. Como toda experiência mais autêntica em países que não são o seu, veio junto um certo choque cultural: ao lado do mercado de comida havia uns mercados de animais. Bezerros, vacas e burros sendo comercializados de formas bem tristes e chocantes. Fico triste sempre que me deparo com esse tipo de situação quando viajo, mas ao mesmo tempo é importante ver como o mundo é muito diferente do que estamos acostumados em casa, e esse é um dos motivos de eu mais gostar de viajar. Então engoli a angústia e o julgamento por uma cultura que não é a minha, e conheci os mercados.

A noite chegamos no hotel e, no jantar com os holandeses e paquistaneses, eu estava morrendo de vontade de tomar uma cerveja gelada (coisa super rara no oriente médio), perguntei se tinham cerveja, me disseram que não. Perguntei então ao gerente, que estava passando, se tinham shisha (ou narguile, como conhecemos no Brasil, coisa que é super comum na região) e a resposta do gerente foi: “Aqui não, mas eu tenho em casa, querem ir fumar em casa?”. Pauso a narrativa um minuto aqui para deixar claro que eu jamais aceitaria o convite se estivesse sozinha, mas no caso estava com outros 4 homens com os quais estava viajando há alguns dias, então decidimos ir. Meia hora depois estávamos na casa super simples e cheia de moscas desse senhor, fumando narguile e tomando chá com seu vizinho que era caminhoneiro e não falava uma palavra em inglês. Foi interessante. Conversamos sobre nossos países, nossas culturas, demos risada e voltamos para o hotel.

No terceiro dia do passeio acordamos e começamos a volta para Marrakesh, paramos em Ouarzazate - um dos lugares onde foi gravado GOT (a parte de Penthos) e vários outros filmes. Quando estávamos lá estavam gravando um comercial norueguês então pode ser que eu apareça nas televisões nórdicas em 2020 haha, o lugar é bem bonito.

Chegamos as 16h em Marrakesh.

MARRAKESH

Ah Marrakesh, o que dizer de Marrakesh? É muito difícil acontecer isso comigo quando viajo: mas me senti angustiada na cidade desde o minuto que pisei nela. Eu tive um caso de amor de ódio por Marrakesh nos poucos (e longos) dias que passei por lá.

É uma cidade caótica, as motos parece que vão te atropelar a qualquer minuto, vi muito sofrimento animal, muita gente implorando por esmola, ou pra comprar algo, ou tentando me enganar por ser turista, vi turistas rindo e fotografando macacos sendo arrastados por coleiras, vi locais rodeando e dando dinheiro para crianças lutarem entre si, vi cavalos em charretes sendo chicoteados (aproveito a brecha aqui para reforçar o quanto é errado a exploração animal em prol do turismo), vi idosos pedindo comida, vi encantadores de cobras, etc etc etc. O que infelizmente é normal, não foi a primeira nem a décima vez que conheci uma cidade caótica como essa. Sou de São Paulo, passei um mês na Índia (Nova Delhi era mil vezes pior), já conheci cidades como Adis Ababa, Cairo, Dar Es Salaam, La Paz.. mas teve algo em Marrakesh que mexeu comigo. Não sei explicar. Marrakesh foi uma cidade que me fez refletir muito.

Enfim, ainda assim tem bastante coisa legal e bonita para conhecer na cidade e eu recomento pelo menos dois dias nela, (pelo menos um se perdendo pelos souks sem mapa).

**

Bom, esse é o roteiro (resumido) da minha viagem ao Marrocos. De Marrakesh peguei um voo pra Tunisia Além dos passeios, gastei cerca de €10 por noite em quarto compartilhado em hostel e comia sempre na rua, o que dava cerca de €5 por prato. Para quem não quer fazer tours pelo país recomendo fortemente alugar um carro ou viajar de ônibus (agencia CTM), o que acaba saindo mais em conta além de ser mais divertido. O roteiro que eu fiz é o que a maioria das pessoas costuma fazer no país, e muita gente também estende ele indo mais ao sul, onde tem as praias e os surf a yoga camps.

Espero que tenham gostado e, qualquer dúvida, podem me enviar no instagram ou por e-mail, na aba “Contato” do blog.

#Marrocos #africa #viagem #Viajarsozinha

Amanda Areias

Programadora e designer gráfica por profissão, viajante por paixão e feminista por necessidade.​

Mochileira desde os 17 anos, sempre em busca de lugares, culturas e pessoas novas.

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