Amanda Areias

Programadora e designer gráfica por profissão, viajante por paixão e feminista por necessidade.​

Mochileira desde os 17 anos, sempre em busca de lugares, culturas e pessoas novas.

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Andar de camelo no Marrocos e turismo animal


Há quatro anos atrás eu andei de elefante no Laos. Procurei um santuário confiável, conversei com ex-funcionários do lugar, busquei por selos de responsabilidade. Mas andei de elefante, e por mais que fosse um santuário legítimo, hoje entendo que não devia ter feito isso. Na Etiópia eu vi cenas de mal-tratos a camelos que me fizeram literalmente chorar e vão ficar pra sempre na minha memória. Em vários lugares do mundo vejo enormes pássaros coloridos presos com uma cordinha na perna para que turistas tirem fotos com eles em seus braços.

"Mas nesse lugar que eu fui os bichos eram tratados bem". Não importa. Você não vê o que acontece por trás, quando os turistas não estão olhando, você não vê como esses animais são comercializados, você não sabe como sua foto pode influenciar outras pessoas a fazerem o mesmo em lugares não tão "sustentáveis" assim.

Eu não julgo os povos locais que utilizam camelos/cavalos/elefantes como locomoção, não estou no meu lugar pra fazer isso, mas bato o pé contra uma indústria de turismo que cresce e lucra em cima do sofrimento de animais.

Recentemente fiz o passeio pelo deserto do Sahara, que gera aquelas fotos lindas em cima de uma fila de camelos... e fui a pé. Além de não participar de algo que eu não concordo, ainda fui conversando com o moço que puxa os camelos e fiquei sabendo mais sobre ele, da onde ele é, o que a família dele faz, há quanto tempo ele trabalha com turismo, fomos batendo mó papo.

Escrevo aqui brevemente sobre esse tema para deixar clara meu posicionamento sobre o assunto: turismo com animais é turismo irresponsável, cruel e egoísta. Sai dessa, minha gente, turismo responsável é muito mais descolado que fotos em animais.

#Marrocos